sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

A SÉTIMA PROFECIA.

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Iniciando a abordagem da sétima profecia Maia, vamos antes nos lembrar de que os Maias nunca anunciaram o fim do planeta ou da vida sobre a Terra, e sim uma mutação, uma transição grandiosa, que eles percebiam se aproximar com o chamado “amanhecer galáctico”. Devemos ter em mente que eles não eram profetas ou visionários, que eram apenas um povo apaixonado pelos astros e seus movimentos, pelos cálculos e pelo tempo, e que buscavam compreender o Universo que nos cerca através de abordagens de medição e interpretação das diversas fases daquilo que chamavam do “dia galáctico”.

E é sobre isso que nos fala a sétima profecia, do momento em que o sistema solar, em seu giro cíclico, sai da noite para entrar no nosso amanhecer dentro da galáxia.

Vamos compreender melhor isso. Nosso sistema solar está situado quase na ponta de um dos inúmeros braços que compõem nossa galáxia, também chamada de Via Láctea. A Via Láctea é uma estrutura constituída por cerca de duzentos bilhões de estrelas, talvez mais, e tem uma massa de cerca de um trilhão e 750 bilhões de massas solares. Sua idade está calculada entre 13 e 14bilhões de anos. Esta galáxia possui um núcleo, um centro, que chamamos de Sol Central, sendo que ao redor dele orbita tudo aquilo que compõe a galáxia, inclusive nós.

O giro do nosso sistema solar em torno deste Sol Central leva cerca de 25.625 anos para acontecer, divididos num dia de aproximadamente 12.800 anos mais uma noite de igual duração. O que acontecerá na data prevista para 21 de Dezembro de 2012 é apenas que estaremos entrando, segundo os Maias, no amanhecer de um novo dia galáctico, visto que teremos nesta data dado uma volta completa ao redor do Sol central, encerrando assim mais uma longa etapa da nossa jornada eterna.

Neste “amanhecer galáctico” (assim como em cada encerramento dos ciclos menores de 5.125 anos) toda a galáxia receberá um “raio de luz” (mais provavelmente um pulso magnético de imensas proporçôes) que pulsa a partir do centro da galáxia e que visa reordenar, realinhar, tudo aquilo que compõe nossa Via Láctea. É como se fosse uma pulsação do coração central deste canto do Universo, que objetivaria manter ordenado, integrado e vivo todo o imenso sistema a que sustenta. O que torna esta data tão especial, aos olhos dos Maias, é o fato dela encerrar a visão de uma nova fase, de uma retomada de caminhada, que deverá se dar a partir dos avanços conquistados pela humanidade em seus estágios anteriores.

Para simplificar, vou usar uma imagem simples: se caminhássemos pela rosca de de um parafuso partindo de um determinado ponto, cada volta completa dele duraria 25.625 anos e, a partir de 21/12/2012, estaríamos dando continuidade ao nosso caminhar em direção ao mesmo objetivo a partir do mesmo ponto do início anterior, só que numa volta acima da rosca, num novo patamar de consciência.

O que procupa a maior parte das pessoas é que os Maias dizem que esta transição deverá trazer para a humanidade o fim de tudo aquilo que não servirá a este novo período, quando as vibrações serão mais elevadas e pedirão de todos que sejam compatíveis com ela ou se retirem. E aí, no cômputo destas vibrações que não irão mais servir, que se encaixam quase todos os nossos hábitos violentos, desrespeitosos e materialistas, de dominação e intransigência.

Segundo os Maias, todo ser humano e todos os sistemas de governo deverão se modificar profundamente, abandonando as práticas predatórias, a promoção das desigualdades, a prática das guerras e do vandalismo ambiental para atender às necessidades deste novo dia que se aproxima.

Porém, todos sabemos o quão dificil seria isso ocorrer sem algum tipo de motivação poderosa, daí o fato de as profecias falarem em grandes catátrofes, em degelo dos polos, em verticalização do eixo planetário, em inversão dos polos magnéticos e outros eventos assim grandiosos, capazes de nos exterminarem em larguíssima escala, deixando aos sobreviventes a consciência vívida e a experimentação real dos amargos resultados da conduta humana imprópria e desarmônica.

Nenhum de nós pode saber até onde eles estariam certos, mas podemos estudar, pesquisar e descobrir: -que as calotas polares estão mesmo derretendo, inclusive mais depressa do que os cientistas previram; - que os polos magnéticos da Terra sempre sofreram inversões e que uma delas está ocorrendo neste exato momento; - que nosso Sol está se preparando para um solar max de vastas proporções, a ocorrer entre o fim de 2011 e início de 2013; - que a magnetosfera do nosso planeta, uma “capa” responsável pelo bloqueio das radiações solares e extra-atmosféricas, está muitíssimo debilitada; - que uma crise econômica global está mais próxima do que se imagina; - que guerras podem estourar a qualquer momento entre vários grupos desta humanidade belicosa e insensível à dor alheia, que segue há milênios profundamente apegada a rótulos onde as palavras nacionalidade, cor e credo (entre outras) são colados sobre tudo e sobre todos, como se não fossemos oriundos da mesma fonte e detentores da mesmíssima humanidade que a todos irmana e que torna cada pessoa estranha a mim apenas “um outro eu”.

Então que se registre que o momento é mesmo delicado, mas que não pede medo, não pede pânico e nem desolação: pede apenas consciência, abertura, confiança no aspecto Divino da vida, respeito e sobretudo AMOR a tudo e a todos que nos cercam. Esta transição virá, em maior ou menor grau, queiramos ou não, e participar dela não será opcional. Mas podemos escolher em que nível de consciência operaremos nos momentos que se aproximam... e assim, que se faça a cada um segundo suas capacidades e suas obras.

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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

PROFECIAS MAIAS - SINAIS DOS TEMPOS.

(publicado no diário de Taubaté em 01/10/2009)
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Devo admitir que sempre tive ao menos um pezinho do meu intelecto fincado nos reinos do estranho, do diferente, do chamado “oculto”, fato que constantemente me leva a me interessar por coisas não muito convencionais.

Acontece que estas coisas, depois de algum tempo, acabam por se tornar populares, quer por modismos (como o caso da Índia, país de cuja cultura eu já assimilei vários hábitos há anos e que agora se tornou “a bola da vez” por conta da novela global), ou por mero reconhecimento público mesmo, caso da acupuntura, dos florais, da homeopatia, da iridologia, dos efeitos terapêuticos da meditação e outras coisinhas assim. Desde muito cedo eu me interesso por assuntos transcendentes, diferentes, estranhos. Por conta disto, minha biblioteca é um tanto bizarra, contando com títulos variados que abordam muitos temas interessantes.

Nestes últimos anos, um assunto que tem tomado conta do meu imaginário (e de boa parte do meu tempo livre) é a questão da transição planetária, evento anunciado aos quatro ventos por muitas tradições filosóficas e/ou religiosas. De Nostradamus aos índios Hopi, passando pelo webbot, pelo Apocalipse Segundo São João, pelas previsões de atividades solares anormais pelos astrônomos e chegando aos Maias (entre outros), temos um mosaico interessantíssimo de previsões variadas que apontam todos na mesmíssima direção: o ano de 2012, quando tudo deve convergir para um ponto de transição após o qual a Terra e sua civilização, tal como a conhecemos, jamais será a mesma.

Dentre todas estas fontes de informações, todas absolutamente disponíveis, de forma acessível e democrática, na internet (basta acessar WWW.google.com.br e digitar profecias), pretendo abordar as Profecias Maias, para repartir com vocês um pouco do que andei estudando. É um tema polêmico, que pode suscitar desde más interpretações ou receios até gargalhadas jocosas de descrença... por isso sugiro que vocês leiam com isenção de ânimo: se não puder se levar a sério, com certeza poderá servir como uma ficção e tanto, que irá entreter seus dias.

Algumas das previsões feitas pelos Maias parecem estar começando a se precipitar do imaginário na realidade. Os Maias previram o “fim” desta humanidade centrada no aspecto material da vida em 21/12/2012 e deixaram sete profecias que ocorreriam antes deste dia. A quinta profecia disse: quebra da economia mundial. Você liga o noticiário e ouve: “Pânico nos mercados!”, " Dólar tendo maior alta em um dia”, “quebra de bancos”, “recessão na economia Americana”, e muito mais. Acontece que estes acontecimentos foram previstos pelos Maias há centenas de anos atrás.

Os maias foram um povo com amplo conhecimento de astronomia e matemática, que adoravam o céu. Eles previram o colapso de sua civilização (e acertaram) e previram o colapso da nossa também. Inclusive dizendo a data: 21/12/2012. Antes desta data, eles profetizaram sete profecias que aconteceriam com o mundo, que são elas:

1ª Profecia: O final do medo

2ª Profecia: Anuncia que o comportamento de toda a humanidade mudaria rapidamente a partir do eclipse do sol de 11/08/1999.

3ª Profecia: diz que uma onda de calor aumentará a temperatura do planeta, produzindo mudanças climáticas, geológicas e sociais, em uma magnitude sem precedentes e a uma velocidade assombrosa.

4ª Profecia: Diz que o aumento da temperatura do planeta, causado pela conduta antiecológica do ser humano e por uma maior atividade do sol provocará um derretimento de gelo nos pólos (terremotos, tsunamis, enchentes, furacões e outros eventos climáticos são todos derivados desta condição do aquecimento e estão acontecendo aos borbotões).

5ª Profecia: Os sistemas falharão para que o ser humano enfrente-se a si mesmo, para que ele veja a necessidade de reorganizar a sociedade e continuar no caminho da evolução que nos levará a entender a criação. O sistema econômico, que regulamenta, quantifica e põe um preço nas relações do planeta está errado. A economia do ser humano contemporâneo está orientada por princípios de agressão e é incompatível com um universo em harmonia.

Vamos dar uma pausa, porque você ficou coçando a cabeça! Até aqui tudo aconteceu. É o que se ouve falar: aquecimento Global, derretimento das geleiras e agora a quinta-profecia está se cumprindo, a que diz respeito à economia mundial! Mas não se esqueça que estas profecias foram escritas a centenas de anos atrás! Terminando esta coluna de hoje, vamos abordar as outras duas profecias que faltam ser cumpridas:

6ª Profecia: Diz que nos próximos anos aparecerá um cometa (nota: Marduk, Nibiru/ Planet X) cuja trajetória colocará em perigo a própria existência do ser humano. (alguns cometas grandiosos andaram passeando por perto do nosso planeta nos últimos anos, tendo sido avistados pelos astrônomos apenas quando já estavam absolutamente perto da atmosfera... por sorte, passaram ao largo!)

7ª Profecia: Fala do momento em que o sistema solar em seu giro cíclico sai da noite para entrar no amanhecer da galáxia. Ela nos diz que nos 13 anos que vão desde 1999 até 2012, o centro da galáxia sincroniza todos os seres-vivos e permite a eles concordar, voluntariamente, com uma transformação interna que produz novas realidades. E que todos os seres humanos tem a oportunidade de mudar e romper suas limitações, percebendo um novo sentido para a vida que não o material. Os seres humanos que voluntariamente encontrem seu estado de paz interior, elevando sua energia vital, levando sua freqüência de vibração interior do medo para o amor, poderão captar e expressar-se através do pensamento, e com ele florescerá um novo sentido.

E assim deixo aqui esta introdução, este painel, para voltar na semana que vem abordando mais profundamente a primeira profecia e, depois, uma outra por semana. Comentários e mais informações ou bate-papos sobre o assunto são muito bem-vindos... meublogdepapel@gmail.com

Até mais ver!

(Fonte http://www.acemprol.com/viewtopic.php?f=16&t=3458)
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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

PROIBIÇÕES

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Outro dia eu li, em algum lugar, que são as leis e as proibições estipuladas por elas que fazem da nossa sociedade algo possível. Fiquei pasma! Eu sempre havia pensado que esse papel coubesse ao amor ou à fraternidade! Mas não, li que devemos agradecer apenas às leis. Como não concordei com isto, parei para refletir e cheguei a algumas conclusões pessoais e, assim, venho aqui para partilhar com vocês algumas proibições criadas por almas mais amáveis e complacentes, mais amorosas e poéticas. Sim, proibições. Mas não do tipo “Não pise na grama”, “Não fume”, Não entre sem autorização”. Não, vou falar de proibições outras, também urgentes e realmente benéficas a todos nós, de proibições que apenas nos prestigiam e promovem enquanto seres humanos.

Eu, particularmente, não acreditava e ainda não acredito muito em proibições, pois minha vida inteira conspirou para me fazer a acreditar que nada na vida é proibido, nada mesmo; tudo pode ser feito e vivenciado. Porém, se é verdade que tudo PODE ser feito ou vivenciado, nem tudo DEVE ser feito ou vivenciado. Por amor a nós mesmos e por amor ao outro, talvez devamos estar sempre muito atentos ao que é lícito ou não fazer, pois sermos a causa da desarmonia ou da infelicidade do outro é a última coisa que deveríamos desejar. E assim, entre o poder e dever, vamos nos equilibrando pela vida afora, caminhando sutilmente no fino fio da navalha que separa o bem do mal, o certo do errado, o que se deve ou não fazer.

Estas proibições a seguir, tão sensatas, urgentes e carinhosas, eu quero compartilhar com você e quero que você as respeite e pense nelas, que as leve a sério, certo? E não pense que elas nasceram da minha mente. Não senhor, elas vieram diretamente dos pensares de Pablo Neruda. Vamos lá:

“É proibido chorar sem aprender, levantar-se um dia sem saber o que fazer, ter medo de tuas lembranças. É proibido não rir dos problemas, não lutar pelo que se quer, abandonar tudo por medo, não transformar sonhos em realidade. É proibido não demonstrar amor, fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos, não tentar compreender o que viveram juntos, chamá-los somente quando necessita deles. É proibido não seres tu mesmo diante das pessoas, fingir que elas não te importam, ser gentil só para que se lembrem de ti, esquecer aqueles que gostam de ti.

É proibido não fazer as coisas por si mesmo, não crer em Deus e fazer seu destino, ter medo da vida e de seus compromissos, não viver cada dia como se fosse um último suspiro. É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar, esquecer seus olhos, seu sorriso só porque seus caminhos se desencontraram, esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.

É proibido não tentar compreender as pessoas, pensar que as vidas deles valem mais que a tua, não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte. É proibido não criar tua história, deixar de dar graças a Deus por tua vida, não ter um momento para quem necessita de ti, não compreender que o que a vida te dá, também te tira. É proibido não buscar a felicidade, não viver tua vida com uma atitude positiva, não pensar que podemos ser melhores, não sentir que sem ti este mundo não seria igual.”

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Complementando (com muito menos brilhantismo, tenho certeza!) os pensamentos do poeta, enumero outras proibições: desde já fica terminantemente proibido esquecer-se de se encantar com o azul dos céus, deixar de beber a água fresca da fonte; fica proibido esquecer-se de celebrar cada encontro, de chorar cada partida; fica proibido desacreditar da bondade, esquecer as coisas belas da infância, deixar de brincar livremente sempre que der vontade. Fica proibido censurar o desejo, essa mola que no impulsiona sempre para frente e cria universos. Fica proibido viver os dias futuros sem lamber a colher da massa do bolo, sem enfiar o dedo no glacê, sem rolar no chão com o cachorro, sem dormir com o gato, sem beijar a quem se ama, sem dar as mãos a quem precisa. Fica, em última instância, terminantemente proibido viver sem se enterrar, até o último fio de cabelo da cabeça, na ampla, benéfica, poética e inestimável experiência que é a VIDA!
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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

A EDUCAÇÃO DO OLHAR

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“Os olhos são as janelas da alma”. E o que é mesmo que essa nossa alma inquieta tanto espia, estendendo sem parar a sua curiosidade para fora de nós?

Olhamos as pessoas, seus carros reluzentes, suas roupas mais ou menos caras, seus corpos mais ou menos magros; olhamos os outdoors coloridos, cheios de promessas vãs de felicidade; olhamos os semáforos eternamente fechados para nós; olhamos as vitrines coloridas, sempre recheadas com os objetos mais ou menos obscuros dos nossos desejos.

Olhamos, olhamos, olhamos... na verdade vemos quase nada, mas olhamos tudo o tempo todo, até nos fartarmos, até nos cansarmos. Olhamos sem ver e olhamos sem parar, olhamos ansiosamente, colecionando cenas na retina como as praias colecionam grãos de areia.

Com grande sabedoria Rubem Alves diz: -“Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. O ato de ver não é coisa natural, precisa ser aprendido”.

Tempos atrás um amigo me mostrou algumas fotos de uma viagem que fez à Argentina, e em uma delas ele estava dentro de uma barcaça de rio pronto para fazer um passeio. Ele me falou sobre a barca, sobre o rio, sobre o preço da passagem e reclamou que a foto poderia ter ficado melhor se o dia não estivesse tão cinzento. Enquanto ele falava, a única coisa que verdadeiramente me chamava à atenção na foto era uma árvore ainda parcialmente coberta com as mesmas flores púrpuras que eu via derramadas, às centenas, por sobre toda calçada. Aquela árvore soberana, frondosa e bela, havia providenciado para os passantes um belíssimo tapete de flores, colorido como um dia de primavera. Que importava que o dia estivesse cinzento? Bastava olhar para aquela festa toda, dividida entre o chão e a árvore, para qualquer tristeza zarpar na mesma hora. Mas acreditem se quiserem: ele nunca, jamais, tinha visto as flores e a árvore antes de eu chamar a atenção dele para o fato. Ele até mesmo ficou surpreso com o fato de existir uma árvore lá!

“Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.”

Eu realmente olho sem ver o movimento dos carros na rua, as filas dos bancos, das lotéricas, dos correios; eu olho sem ver as vitrines sempre cheias de coisas novas que apenas repetem as antigas em novas cores e formas; eu olho sem ver as massas que percorrem as ruas como zumbis, indo e vindo incessantemente, numa aparente alienação que chega a me cansar.

Mas meus olhos realmente param, vêem, reparam e se encantam com folhas, pedras, animais e flores quando os encontro num parque ou jardim (mesmo com os mais minúsculos!); meus olhos se regalam com as nuvens do céu quando são fofas demais, “penteadas pelos ventos” ou pesadas e escuras, prontas para deixar desaguar aquele mundaréu de água sobre esse mundo de meu Deus. Cada curva, cada textura, cada cor, cada forma exibida pela mãe natureza entra grandemente em mim, e não só pelos olhos, mas pelos poros. É um tipo de olhar mais pleno, que observa e repara atentamente. Um olhar mais integral, que permite a fusão do observador ao objeto observado.

Meus olhos se enternecem com filhotes de qualquer espécie. Eles, os meus olhos, também percorrem alegremente a parte mais alta dos prédios da cidade quando ando pelas ruas, encontrando quase sempre uma janela mais antiga, uma linha arquitetônica do início do século ou até mesmo outros olhos atentos, que também olham.

“Os olhos têm que ser educados para que nossa alegria aumente”, eis Rubem Alves de novo.

Sabe aquela cor que cria água na nossa boca, lembrando-nos de algum sabor inesquecível? Ela habita o mundo das coisas belas que nos rodeiam e que nem sempre percebemos, focalizados que estamos em poupar tempo. E são do mundo das coisas belas também aquela concha com forma bizarra e original, aquele quadro bonito pendurado na parede, os cachos redondinhos dos cabelos de uma criança, a mancha de molho de tomate com forma de borboleta sobre a toalha da mesa, o raio de sol que se esgueira pelo buraquinho da porta e vem mostrar para nós a poeira dançarina que habita nosso quarto, os olhos brilhantes daqueles que amam, as formas sensuais dos instrumentos de cordas, as texturas variadas que formam os corpos das pessoas.

Se podes olhar, vê; se podes ver, repara... e assim adentrarás este mundo das coisas belas, mundo proibido aos de olhos apressados e insensíveis, aos amargos e rancorosos, àqueles que já perderam de uma vez por todas o contato com aquela criança interior que vive dentro de cada um e que aponta com teimosia e fé inabalável para o futuro mais bonito, mais colorido e absolutamente encantador que ela sabe ser possível.
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MUDAM AS MOSCAS, MAS A CACA...

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Neste feriado de sete de Setembro fui para o sul Minas Gerais encontrar alguns amigos muito especiais para trocar idéias e revitalizar a mente, abrir a percepção e derrubar antigos conceitos falidos, discutindo assuntos incomuns e urgentes para nós. E algumas das nossas discussões, talvez as mais acaloradas, cutucaram aquele meu ladinho mais chato, mais “crica”, aquele meu lado que olha meio impiedosamente para os fatos da vida. E assim, eis que me peguei pensando na jornada humana, traçada a ferro, fogo, suor e lágrimas ao longo da história planetária.

Vejam só: há quinze mil anos éramos modernos caçando, com lanças de pontas de pedra afiada, a carne para nossas mesas, nos sentindo digníssimos exemplares masculinos, plenos de coragem e virilidade; há aproximadamente oito mil anos éramos moderníssimos ao caçar e guerrear com lanças e espadas de metal, nos sentindo digníssimos exemplares masculinos, plenos de coragem e virilidade; há cerca de mil anos, nos tornamos atualíssimos ao descobrir a pólvora e ao aprendermos a matar à distância, sem precisar sujar as mãos com o sangue da caça ou do inimigo, nos sentindo digníssimos exemplares masculinos, plenos de coragem e virilidade. Hoje disparamos bombas (atômicas ou não), canhões, metralhadoras, fuzis, gases tóxicos e outras armas poderosas no planeta inteiro a cada segundo, nos sentindo digníssimos exemplares masculinos, plenos de coragem e virilidade.

Na verdade, tudo o que sempre fizemos foi sobreviver belicosamente, provando masculinidade (para conquistar a fêmea), subjugando o inimigo que nos colocava em risco, numa busca desesperada de poder, de dominação, de reconhecimento e aceitação.

Há mais de seis mil anos descobríamos a joalheria e nos enfeitávamos com milhares de penduricalhos variados, nos sentindo as rainhas da beleza e da sedução; há mais de quatro mil anos atrás descobríamos a maquiagem e os óleos embelezadores, nos pintando, nos embelezando e nos sentindo as rainhas absolutas da beleza e da sedução; nos tempos do Rococó descobríamos os saltos altos, as perucas e os espartilhos, nos sentindo as rainhas absolutas da beleza e da sedução; nos anos 60 do século XX desestruturamos as formas e queimamos sutiãs nas ruas, nos sentindo as rainhas absolutas da beleza e da sedução; atualmente, maldizemos a natureza que nos constitui e zombamos dela furando, cortando, costurando e mutilando nossos corpos para diminuir isso, aumentar aquilo, imobilizar um músculo, esticar aquilo outro ou extirpar um pedaço aqui e outro ali, nos sentindo as rainhas absolutas da beleza e da sedução.

Na verdade, tudo o que fizemos ao longo dos milênios, foi nos sujeitar a todo tipo de modismo e imposição estética para sermos desejadas e consumidas pelos homens, numa busca desesperada de poder, de reconhecimento e aceitação.

Não me parece, olhando assim meio de relance, que a jornada empreendida pela humanidade dos tempos pré-históricos aos dias de hoje, tenha sido coroada por algum êxito maior do que a mera sobrevivência. Antes que você esbraveje demais já vou avisando que eu concordo - uma sobrevivência permeada por ocasionais conquistas tecnológicas agradáveis, por certo, mas que apenas geraram novas formas de conseguir as mesmas coisas de sempre. Afinal, é claro que é melhor caçar mulheres com um BMW reluzente do que com um porrete de madeira e é muito mais agradável seduzir um homem com implantes de silicone nos seios do que cozinhando ou parindo filhos.

Mudam as moscas, mas a caca continua a mesma.

Acorrentados às tendências e necessidades humanas atávicas, nós seguimos através das eras como robôs, criando formas diferenciadas de produzir resultados cada vez mais sofisticados para atendermos às mesmas necessidades ancestrais de dominação, sedução, conquista, posse ou destruição.

Exceção feita aos verdadeiros artistas, seres especiais que seguem uma trilha paralela e escrevem uma história um pouco diferente a partir de códigos próprios, nós apenas repetimos padrões, hipocritamente mascarando estas repetições com rótulos de novidade, talvez para não ficarmos chocados com nossa falta de originalidade. Na verdade, temos andado em círculos ao buscar as mesmas coisas de sempre (o poder, o reconhecimento e a aceitação) da mesma forma de sempre: através da violência, da sedução, com egoísmo e força bruta, sem solidariedade nem consciência em relação à vida que fora de nós habita. Se você não me acredita, apenas leia atentamente todo este jornal que você tem em mãos e assista a todos os noticiários da TV de hoje.

Para não deixar um gostinho amargo ao final desta pequena coluna, registro que quero muito crer que as coisas poderão um dia mudar e que a consciência humana ainda poderá atingir a maioridade, liberando-se destes condicionamentos ancestrais tão pobres, limitadores e tristonhos, transcendendo o ego a ponto de realmente evoluir na direção de uma redenção humana e planetária. Vamos todos torcer por isto?
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sexta-feira, 31 de julho de 2009

AOS MEUS AMIGOS NO MEU ANIVERSÁRIO.

Caros amigos...


Hoje, 31 de Julho de 2009, estou completando cinquenta anos de idade.

Nossa, meio século! Eu quase não acredito, meu coração estacionou lá pelos vinte e não consegue crer que já chegamos aqui.

E chego aos cinquenta feliz, inteira, de bem com a vida. É, de bem com a vida, mas não porque ela me dê tudo o que desejo e penso merecer, e sim porque estou aprendendo a aceitar as coisas como elas são, sem me arrebentar por causa disto.

Chego aos cinquenta com o mesmo olhar estatelado que tinha quando criança. E chego olhando, de dentro da minha mente, a vida que acontece lá fora como quem olha um picadeiro a partir da arquibancada. Ocasionalmente eu me viro e vejo ao meu lado pessoas que me encaram como se eu fosse o palhaço do picadeiro... mas tudo bem, isso deve fazer parte do processo de vida delas, onde eu deixo de ser platéia para ser a artista..

Há fios brancos no meio dos meus cabelos, mas persisto na mania de tingi-los e assim eles praticamente não são notados. Eles já foram castanhos, louros, já tiveram luzes, já foram crespos ou alisados. Longos, curtos, arrepiados, domados, picotados, masculinos... experimentei de quase tudo em termos de cabelo e sigo encantada vida afora com o fato de que eles sempre crescem e me dão a oportunidade de reparar algumas solenes cagadas estéticas, sempre cometidas em nome da vontade de mudar.

Mudar o que, mudar para quê? Sei lá, só sei que é imprescindível para mim mudar, nem que seja a marca do xampú. Sem mudanças a vida parece começar a perder a cor, começar a cheirar mal. Água estagnada, sabe como é? Parece que tudo começa a criar um depósito de sujeira no fundo, começa a incomodar...e aí a gente tem que agitar, renovar, filtrar, fazer um algo qualquer que possa mudar o status quo. E este mudar pode significar apenas um singelo tosar de madeixas ou, o que no meu caso já ocorreu muito, descartar tudo aquilo que se é num determinado lugar para partir para outra num lugar novo, começando do zero com a cara e a coragem.

Não é muito simples fazer, assim de bate-pronto, um balanço de cinquenta anos de vida, ainda mais quando se é um ser tão complexo quanto eu. Nada é muito simples na minha vida e às vezes tenho a impressão que meus dias todos caminham na contra-mão dos dias ditos "normais". Tudo o que é simples na vida dos outros na minha acaba por tomar proporções épicas. Saibam que não é nada fácil ser eu!

Mas por mais incomum, incômoda, estranha, original e atrapalhada que eu possa ser ou parecer às vezes, eu afirmo que tenho um pézinho careta bem plantado no solo da normalidade. Cultivei flores, plantei árvores, tive filhos de formas variadas (próprios ou importados) e escrevi, senão livros, muitas e muitas poesias e crônicas que hoje voam por aí, independentes de mim. Chorei a morte dos meus queridos pais, fiz amigos, inimigos, me casei, me separei, me casei novamente, tornei a me separar (com dois homens de sobrenomes idênticos e de profissões iguais, diga-se de passagem, tipo da coisa que só acontece comigo), namorei, desisti de namorar, abracei o celibato (se vai durar eu não sei, mas estou amando!).

Deixei ao longo da minha vida amigos queridos perdidos no tempo, assim como provavelmente não serei lembrada com muito prazer em alguns outros ambientes. Bocuda demais, sempre disse em bom tom e com sinceridade excessiva aquilo que pensava, coisa para a qual a maioria dos seres não está preparada. Se isso me rendeu algumas antipatias, é verdade que também cativou pessoas afins e me proporcionou um sono bom e tranquilo. Não sei mentir, sempre digo a verdade. No nosso mundo isto é um defeito, por certo... mas ninguém é perfeito!

Houve momentos em que me afastei demais do caminho da minha alma, seguindo momentaneamente pelas as trilhas seguras que outros já palmilharam, sem reparar que minha essência é a do lobo que segue ao largo dos pastores e dos rebanhos, abrindo por si mesmo seus caminhos às custas de muita determinação, coragem e desassombro. Nestes momentos me perdi de mim mesma a ponto de não reconhecer mais minha própria imagem, a ponto de me tornar mero borrão existencial.

São cinquenta anos de idade e ainda não sei muito bem o que faço aqui, nem descobri respostas para a maioria das questões mais cruciais que habitam minha mente. Mas pressinto que vou indo bem no sentido de encontrá-las.

Se é que isso serve para alguma coisa, posso dizer que embora nem sempre eu saiba muito exatamente o que quero da vida, hoje em dia eu ao menos sei bem o que eu não quero. E eu não quero sentir raiva nem ódio de algo ou de alguém, não quero solidao, não quero acordar para apenas sobreviver a mais um dia... quero significado para as horas, quero prazer para os minutos Também não quero incompreensão, dias sem beleza, sorrisos falsos e amizades oportunistas; quero apenas a simplicidade das conversas bobas sem hora para acabar, os sorrisos da alma, os toques do coração. Quero a comida feita pra partilhar, a canção cantada a muitas vozes, o olho olhando no olho, a mão pegando na mão.

Não quero dias mortos, quero celebração; não quero artificialismos, quero a coisa genuína. Não quero roupas caras nem ambientes sofisticados, quero só o aconchego da amizade e a sinceridade das dores e dos sonhos humanamente compartilhados.

Se eu morresse amanhã com certeza partiria sem dor, sem pena, sem a sensação de ter deixado para trás algo incompleto ou mal feito. Sei que fui sempre inteira no que resolvi fazer, que fui sincera nas minhas colocações e que fui ao limite das minhas curtas pernas. Nada teria a lamentar partindo hoje, muito menos a temer, pois ao aceitar minha falibilidade e minha pequenez humanas eu descobri que não posso tudo, e assim sei que o pouco que eu posso fazer eu sempre faço da melhor forma que consigo fazer. E então arrepender-me de que? Temer o que? Lamentar o que?

É isso... e agora você deve estar se perguntando porque foi que eu enviei este texto meio doido para você. Oras, é muito simples: você é em parte responsável por tudo aquilo que eu sou hoje. Em maior ou menor grau, para o bem ou para o mal (figura de linguagem, meu amor, pois bem e mal não existem, são apenas conceitos criados a partir do nosso pequeno ponto de vista) você me ajudou a crescer, a refletir, a sobreviver, a me tornar. Este "vir a ser " não seria o mesmo sem a sua presença nos meus dias e com certeza haveria um lacuna em mim sem a sua contribuição. Foram os nossos muitos "ontens" que possibilitaram este hoje que eu agora vivencio.

Voce deve ser aquele ou aquela que me ensinou a crer, ou a descrer... deve ter feito com que eu risse ou chorasse, deve ter me indicado um livro, um filme. Quem sabe você teria me dado uma receita de algo delicioso? Talvez você seja aquele tipo de amigo especial que ouviu minhas lamúrias chatas nos meus tempos mais confusos...ou um dos que compartilharam comigo aqueles três anos duros da minha fratura. Ou, quem sabe, foi um amigo da adolescência, da mocidade? Você pode ser aquele ou aquela que, ostentando o nome de filho ou filha, de irmão ou irmã, primo ou prima, veio para perto de mim para partilhar os dias com mais intimidade, com trocas mais intensas. Pode ser alguém que tocou e cantou comigo, dividindo entre sons momentos nos quais pudemos entrever o paraíso. Ou ainda você pode ter sido quem estava ao meu lado nos momentos em que uma bobeira qualquer acabou em risadas ou em alguma pequena calamidade.

Na verdade não me importa qual sua participação na minha vida, pois sei que de alguma forma ela foi preciosa.

E por isso eu lhe agradeço: MUITO OBRIGADA! Obrigada por estar ou ter estado ao meu lado, aturando amorosamente este todo incoerente (porém belo) que eu sou. Muito obrigada pela partilha, pelo aviso, pelo puxão de orelhas, pelo riso fácil, pela lágrima compartilhada, pelo livro emprestado, pela grana na hora mais difícil, pelo auxílio nos momentos críiticos, pelo presente de ontem, pelos sonhos de amanhã.

Muito obrigada por ser meu amigo!

Bjins.... com carinho demais da conta sô!

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terça-feira, 21 de julho de 2009

PRIMEIRO ENCONTRO COM A BELEZA.

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Noutro dia, para não variar, eu fui à cidade para resolver alguns daqueles probleminhas cotidianos que aborrecem a todos nós: pagar contas, comprar alguma coisa que falta em casa, ir aos correios e etc. Andava pela calçada meio apressada, em busca de economizar alguns minutos preciosos, quando os ouvi... e seus sons me alcançaram bem antes de os olhos poderem vê-los. Daí os ouvidos me cativaram e convenceram-me (sou muito fácil de ser convencida por sons!) a mudar de rota, guiando-me em direção à praça, quando o que eu queria mesmo era ir ao banco, situado um tanto ao lado.
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Cercados pela agitação popular, que sempre invade a praça no meio da tarde, é que eu os vejo: são três homens no palco ao ar livre e, embora eu não saiba ao certo se são peruanos, bolivianos ou equatorianos, tenho certeza que vieram dos Andes, pois os traços são inconfundíveis. Vieram de longe, com certeza, e vieram trazendo na bagagem aquela música inimitável, inigualável, aqueles sons envolventes e místicos que fazem a maior festa na minha alma.
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Vieram com flautas de todos os tipos: quenilla, quena, quenacho, samponhas de vários tamanhos diferentes, ocarinas e mais; a percussão, toda feita ali, ao vivo, na mão, contava com pequenos assobios de pássaro, com carrilhões de sininhos, chocalhos e outras coisas que mal conheço; tinham também um charango (pequeno instrumento de 10 cordas) e mais uma infinidade de fontes sonoras que, reunidas em execuções magistrais, conseguiram me transportar aos cumes de Machu Pichu num passe de mágica, como por encanto!
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Vestindo trajes nada tradicionais, pareciam-se mais com indígenas norte-americanos cheios de cocares do que com digníssimos descendentes dos Incas, o que provavelmente são. Imagino que se vistam assim porque, graças a Hollywood, os indígenas norte-americanos são reconhecíveis a milhas de distância e, como suas roupas chamam muito a atenção, a probabilidade de fazer sucesso é bem maior. Mera estratégia de marketing: quando são identificados rapidamente conseguem atrair mais atenção e, consequentemente vendem mais seus cds e produtos típicos!
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Não eram assim tão jovens: dois deles já exibiam muitos fios de cabelos brancos em meio às vastas cabeleiras, amarradas em disciplinados rabos de cavalo, mas se desdobravam, tocando apaixonadamente seus instrumentos, alternados constantemente para colorir e enriquecer as melodias com harmonias e sons interessantes... (falar mais sobre estes homens que vivem da sua arte, que encarnam seus sonhos sem submissão ao sistema alienado que nos cerca é um capítulo à parte, vou deixar para outra ocasião).
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Em meio às dezenas de pessoas que, das calçadas, olhavam admiradas o pequeno show vespertino, uma garotinha de uns dois anos se maravilhava com os sons, com as formas, com os movimentos no palco e não despregava os olhos um segundo sequer dos músicos à sua frente. Ela oscilava, muito bonitinha, para lá e para cá, ensaiando uns passinhos ritmados que pretendiam ser uma dança. Os olhinhos dela brilhavam e, de vez em quando, ela se virava para nós, que estávamos mais abaixo, como que para se certificar que todos estavam prestando atenção àquela coisa maravilhosa que ela via e ouvia, para ter certeza de que ninguém estava perdendo um segundo sequer de toda aquela beleza... (talvez ela tivesse, em algum cantinho do seu pequeno ser, a intuição da importância daquela música, das centenas de anos de cultura andina que se exibia ali, naquele espaço e naquele momento).
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Mas bonito mesmo era quando eles terminavam uma música e ela abria os bracinhos, alinhando as palmas das mãozinhas para aplaudir. Antes de bater a primeira palma, ela olhava para trás e via se alguém mais ia aplaudir e, assim que soava a primeira palma, ela desatava um aplauso sonoro e alegre, feliz e espontâneo, como deve sempre ser a festa da alma de uma criança diante de algo tão belo.
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Os músicos, muito bons por sinal, venderam muitos cds (eu comprei um, claro!), assim como flautas e objetos de decoração, todos lembranças que algumas pessoas carregarão para sempre em suas vidas. Mas aquela garotinha em especial, embora não tenha comprado nada, com certeza carregará para sempre dentro de si uma lembrança de maior valor: o dia em que ela festejou, sob um céu de puro azul e no meio da praça central, sua descoberta pessoal da beleza, da música, do encanto de que são capazes aqueles sons que viajaram centenas de anos e milhares de quilômetros para encontrá-la ali, tão pequenina, naquele exato momento da sua vida.

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